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Liberdade e Simplicidade Maio 19, 2008

Posted by luizcferreira in Uncategorized.
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Ane - da Estação Centro

Ontem, 16, no encontro da Estação Rio-Centro, conversamos bastante sobre o que é simplicidade. Um substantivo, que nós estudiosos da Língua denominamos abstrato, derivado de um adjetivo que em seu sentido bruto quer expressar algo desprovido de complicações, mas que ontem nós observamos bem que tal discussão sobre o significado desta palavra não é tão “simples”…
Bem, vamos então refletir um pouco sobre as origens, talvez isto nos ajude um pouco mais…
Pensemos por oposição, e foquemos primeiramente sobre a origem de complicado. A etimologia da palavra é interessante: vem do latim plicare, plica. Plica é a dobra, a prega, a face… E assim, por exemplo, dobrar algo (digamos, uma folha de papel) é du-plicar, quadru-plicar, com-plicar. Do mesmo modo, “tirar para fora” em latim é ex- (como em ex-portar, ex-pelir, ex-pulsar etc.): tirar um assunto das “plicas” é ex-plicar. De “plica” decorrem também em português “cúmplice”, “explícito” e outras…. A etimologia de “simples” torna-se agora clara: sine, sem (ou, segundo outros, de sem, semel, única), sem plicas, sem dobras, sem pregas (ou, o que é o mesmo, de uma única face).
Não resta dúvida de que é nossa tarefa buscar a simplicidade, pois assim o homem deixará de ser insensível a ponto de não perceber a grandeza de tudo que o rodeia.mostrando como a nossa essência encontra-se nos eventos simples. E que devemos buscar na simplicidade um modo de viver.
A simplicidade revela que o mundo não se restringe às nossas “obrigações” diárias, como as tarefas no trabalho, as contas a pagar e às amarras do tempo. Assim sendo, uma certeza prevalece: devemos buscar a simplicidade no nosso cotidiano, sem deixá-lo comum, sem um sentido maior. Talvez somente olhando em nossa volta, sob o prisma da magia desta palavra, poderemos perceber que existe algo mais além do que se mostra as circunstâncias ao redor.

A busca da simplicidade pode ser a chave para que as igrejas deixem de ser templos vedados à presença daquilo que não precisa ser regrado ou dogmatizado, onde apenas as “verdades” de seus sacerdotes prevaleçam. Quem sabe a simplicidade nos mostre que a arrogância de muitos cristãos nada mais é do que a opção errada para o exercício da fé. Sim, porque a simplicidade pode nos levar a ver o mundo de outra maneira, em que as “verdades” construídas pelos homens de instituições religiosas não sejam tão absolutas. A simplicidade deveria estar presente na forma como os pregadores usam a sua fundamental ferramenta de trabalho: a palavra. Usar as palavras com a preocupação de que elas não sirvam apenas para doutrinar as pessoas. E que também resgatem a emoção no momento em que se rememore o que Cristo fez entre nós. Este é uma das formas que podemos entender a eucaristia – a simplicidade do gesto de partir o pão na grandiosidade da doação de vida que Cristo deu a nós…

Que a simplicidade traga de volta os sentimentos e não somente as racionalizações aos nossos corações!

Poesia de Pessoa, para dar um laço neste ponto da discussão…

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

PROPOSTA DE ESPIRITUALIDADE - RICARDO GONDIM Maio 18, 2008

Posted by Carlos Barreto in Uncategorized.
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Não é preciso muita perspicácia para perceber que o movimento evangélico ocidental passa por uma grande crise. As incursões do neo-fundamentalismo da direita religiosa na política estadunidense não ajudaram muito.

Os reclames de que a sociedade preservasse “valores morais” caíram por terra porque não encontraram respaldo nas próprias igrejas, que se revezaram em escândalos. Para agravar a crise, grandes segmentos evangélicos se apressaram em legitimar a invasão do Iraque, argumentando que a Bíblia respaldava uma “guerra justa”.

Na América Latina, principalmente no Brasil, a rápida expansão do pentecostalismo produziu um grave desvio ético na compreensão do Evangelho. Apareceu um novo fenômeno religioso, mais comumente identificado como “teologia da prosperidade”. O que se ouve como “pregação”, pelos tele-evangelistas e nas mega-igrejas dificilmente poderia ser associado ao protestantismo histórico ou ao pentecostalismo clássico.

Como não há mais nenhuma novidade em afirmar que mudanças radicais precisam acontecer no movimento evangélico, a questão agora é perguntar: O que tem que mudar? Eis algumas propostas: (mais…)

TOTEM E TABU Maio 15, 2008

Posted by luizcferreira in Uncategorized.
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To: contato@caiofabio.com  

Sent: Friday, May 09, 2008 3:20 PM

Subject: Esclarecimentos do Totem e Tabu de Freud!

 

Graça e paz, meu amigo (se assim posso lhe chamar) e pastor Caio Fábio!

 Foi um prazer estar em santos dia 12/04, onde fui especialmente para ouvir um porta-voz do Evangelho, sem manipulações por pulsões terceirizadas, nem distúrbios circenses, mas sim, sem barganhas a fazer.

 Foi muito bom, a Palavra falou forte no meu coração - ela sempre fala forte e suave! Depois fui pedir que assinasse o livro que comprei, e me identifiquei ao senhor - até que de uma forma estranha… rsrsrs.  

 E disse que o escreveria sobre o Tema Totem e Tabu.

 Eu tenho acompanhado seu ministério e sua vida há alguns anos já. Admiro tudo o que lhe aconteceu, e a forma com que atravessou o vale da sombra da morte, não temendo mal algum, pois a vara e o cajado de Deus estavam contigo consolando-o!

 Pastor, o que gostaria de perguntar sobre o referido tema, é o seguinte:

 

 No livro Enigma da Graça, o senhor diz que os amigos de Jó o tinham como um Totem. No sentido de que eles projetaram sobre Jó as expectativas que eles tinham em si mesmos, porém irrealizáveis neles.  Nessa projeção, Jó passa a ser encarado como o representante moral e ético da presente comunidade, o porta-voz da sabedoria, e o irrepreensível. Porém, sofrendo o que Jó sofrera, Jó já não era o que eles pensavam ser, e dessa projeção inconsciente - o totem - como em uma parte do livro de Freud, Jó já não os servia mais, logo, teria que ser sacrificado. Em Jó, isso se deu como a aceitação de seu pecado, para justificar a presente calamidade que o acometera. As transferências de responsabilidades, e do conceito psico-coletivo do homem de sempre projetar nos outros o que em si não se tem coragem de assumir. Elevando alguém ao nível de um totem, sendo este o porta-voz, e representante ético-moral deles, quando este não lhes é mais útil, sempre acabam sendo sacrificados.

 É neste sentido que o senhor usou este tema - totem - em Jó? E para com o senhor também? Pois em algumas cartas que o senhor escreveu, contidas no site, o senhor diz que os “evangélicos” o viam como um totem.

 Sigmund Freud, em seu livro, fala da transferência psíquica das relações do homem com um animal totem. Fala do Tabu existente para com as conseqüências que se seguem dos povos quando guerreiam, e matam seus inimigos, e depois encontram uma série de observâncias a se realizar para poder voltar a viver ao convívio social. Depois ele fala do totemismo infantil. O livro - para um leigo como eu - ficou um pouco complexo demais. Por isso gostaria de entender a aplicação que o senhor fez, do referido ensaio de Freud, para com Jó, e com o senhor, durante os anos de sua caminhada com a “igreja”.

 Eu li também em suas cartas, sobre um livro de Jung, que fala do psiquismo coletivo. Interessei-me em ler, o senhor pode me passar o nome do livro? 

Na esperança da resposta, obrigado! 

Obrigado pelo carinho expressado no abraço em santos. Sou uma ovelha, que ama comer das pastagens oferecidas pelo senhor, pastagens estas que alimentam a alma com o verdadeiro Evangelho, e com o aconchego da Graça de Deus.

 Um grande beijo, e dê um abraço na Adriana por mim - eu conversei com ela em Santos, e a percebi muito amável e carinhosa.

 Na Graça Daquele, que nos fez livres de qualquer transferência psíquicas para sermos nós mesmos Nele!

 Juliano

 ______________________________________

 

Resposta:

 Meu mano Juliano: Graça e Paz!

 Sim! Você entendeu o que eu disse no Enigma da Graça e também nas Cartas do site, assim como entendeu o suficiente do que Freud escreveu sobre o temaTotem e Tabu.

 Nem sempre quem “Projeta”, “Transfere”. E nem sempre quem “Transfere”, “Projeta”. No entanto, na criação psico-coletiva de um fenômeno totêmico, “Transferência e Projeção” se fundem, e não podem ser separados. 

Existe a “Projeção” que é apenas transferência de imagem e representação. Mas há aquela “Projeção” que implica em “Transferência” de responsabilidade de ser das pessoas para o totem.

 Ora, é nesse ponto que a totemização se sofistica, deixando de ser primitiva como nas ilustrações provenientes do livro de Freud, e entra no ambiente sutil da tribo piedosa, seja no caso de Jó e seus amigos, ou, seja como nas Cartas faço alusão ao “meu caso” de totemização no passado.

 Em todo processo de totemização há, entretanto, tanto a presença do infantilismo do individuo não indiviaduado psicologicamente, como também do elemento de síntese entre amor e ódio — amor pela beleza da representação como projeção nossa no outro [de modo que o outro é “nós”- um “gadareno”, uma legião do belo e orgulhoso]; e ódio pela nossa admiração invejosa e homicida.

 Ora, a melhor ilustração psicológica deste fenômeno nos vem de nossa relação “natural” com a morte. Todos dizem teme-la e odiá-la. No entanto, a própria fobia da morte nos remete ávidos para ela como sedutora de nossa vontade, assim como foi no princípio, quando o homem comeu com gosto justamente aquilo que ele sabia que era morte. 

O maior “tesão psicológico” de um ser humano está sempre naquele que ele confessa como sendo o seu pior inimigo!

 É como no livro “O Perfume”, quando o aroma irresistível é também o poder que deflagra nos seduzidos o desejo de comer o objeto do desejo até que ele morra.

 No ink http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0230300007

você encontrará bases mais claras para o que estou dizendo no que diz respeito a mim mesmo como parte desse fenômeno.

 No entanto, o que eu fiz, eu fiz; e o que eles fizeram, eles fizeram. E nada há além disto. Com uma diferença. O que fiz, não o fiz contra eles. Mas o que eles fizeram, o fizeram contra mim. É aí que se estabelece o fenômeno como projeção e transferência simultaneamente, pois só foi assim porque a admiração se converteu em ódio em razão de que se sentiram traídos de modo psicologicamente visceral.

 Mesmo tendo usado em algum lugar acima a palavra amor, no entanto, em tais processos não há amor, mas apenas admiração, que é um estado piedoso do infantilismo. No amor há amor, não admiração. Eu não admiro a Jesus. Eu amo Jesus. Ad-miração é sempre um olhar de fora e que elege a miragem como expressão de nós mesmos, pelo simples fato de a reconhecermos como bela. O amor, todavia, não vive de imagem, mas do que é, e isso mesmo que seja apesar de tudo.

 Todos esses elementos de totemização ou de produção de tabus, têm a ver com a falta de gratidão a Deus pelo que se é. E mais: é fruto da falta de responsabilidade pessoal para com a vida.

 Quem é grato a Deus por ser quem é e também se sente responsável por suas próprias decisões, esse anda amando, mas não babando, e, menos ainda, escandalizando-se; pois, aquele que se escandaliza tanto é ainda menino, como também é ainda um ser que não ama; posto que todo aquele que ama não se escandaliza.

 O amor cobre multidão de pecados!

 Por esta mesma razão o amor não tem totens. A admiração infantil ou invejosa, todavia, só sabe existir se tiver totens, e, ao mesmo tempo, totens que possam virar tabus.

 Só há Um que pôde receber todas as Projeções e transferências, sem que isto tenha sido mal — que é Jesus, que levou sobre Si mesmo e chamou a responsabilidade para Ele mesmo, de tudo aquilo que eu projeto e transfiro para outros, e, por vezes, com raiva, até para Deus.

 Em Jesus o processo é diferente. Ele atraiu para Si mesmo todos os pecados! Ele também representa a todos nós diante do Pai.

 Ora, fora de Jesus todo esse processo é paganismo e gera ódio e morte!

 Receba meu abraço!

 Nele, em Quem fui absorvido,

 Caio   12/05/08   Lago Norte   Brasília DF

Ps: Sobre O Inconsciente Coletivo e Jung, entre na Net e veja num Google da vida e você achará tudo o que desejar.

 

Vem e Vê TV Maio 9, 2008

Posted by Alexandre Araújo in Uncategorized.
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O MISTÉRIO DA INIQUIDADE Maio 6, 2008

Posted by luizcferreira in Uncategorized.
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 Caros amigos. O texto abaixo é sugestão de leitura para o nosso encontro - “Caminho Cons-ciência” - no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais - no largo de S. Francisco - Centro do RJ). Que acontecerá na próxima terça, 6 de maio. Esperamos vocês lá!

 

A presença da iniqüidade no mundo é um mistério. De fato Paulo disse que se tratava justamente de algo misterioso e apenas revelado como mistério, tendo nós de tal realidade a sua confirmação como fato inescusável de nossa experiência no mundo, assim como ele tem sido inafastável da experiência da Civilização Humana.

 Eu sei que o mal existe a partir de mim mesmo, e apenas a partir de mim mesmo me é possível verificá-lo como iniqüidade; seja em razão de identificá-la latente ou, por vezes, patente em mim; ou ainda por assisti-la todos os dias, seja isso por experimentá-la voltando-se contra mim (por ação de outros), seja por verificar o que “aquilo” que em mim identifico como iniqüidade pode realizar na dimensão coletiva total.

 Assim, é estranhamente sadio que alguém só possa e saiba discernir o que é o mal a partir de si mesmo, pois, não sendo assim, surge um diabo entre os humanos.

 O diabo o humano não vê mal algum em si; e, assim, ou torna-se um fariseu existencial, ou abisma-se na psicopatia educada, não sendo necessariamente fisicamente homicida (embora a existência nos mostre como o homicídio físico apenas aumenta), porém, mesmo assim, sempre o é nos guetos de morte do coração; não importando com que disfarce se oculte.

No Gênesis não se diz de onde a Serpente veio. Parece até que é normal que ela sempre tenha estado ali, a ponto de já ter sido admirada antes como bela; mais bela e astuta do que todas as demais criaturas.

 Nas Antigas Escrituras o mal é visto quase que exclusivamente vinculado ao homem e suas manifestações de injustiça. E quando Satanás é citado, quase sempre aparece como expressão de oposição, podendo ser do Satanás maiúsculo ou de satanases minúsculos.

 As referencias de Isaías e Ezequiel a alguém que andava entre estrelas e passeava no Éden superior, ulterior e anterior ao Éden do Gênesis, o qual caminhava entre todas as pedras preciosas que se possa imaginar; e que era perfeito desde o dia em que fora criado, até que decidiu elevar-se — sem dúvida são referencias de natureza luciferiana, tanto espiritual quanto psicologicamente, porém, no contexto histórico de ambos os profetas mencionados, fazem referencia a figuras luciferianas existentes, fosse o rei de Babilônia ou o rei de Tiro.   

 Foi apenas no período do Exílio em Babilônia que surgiram as noções mais abstratas de anjos sutis, com formas diferentes, por vezes alados, e muito mais abundantes na invisibilidade do que jamais antes na Escritura se fizera referencia.

 Ora, tais noções existiam entre os Persas com os quais os Judeus conviveram no cativeiro em Babilônia, sendo assim difícil não imaginar a existência de um intercambio entre eles, a tal ponto que mais de quatro séculos depois foi da Pérsia que provavelmente vieram os magos que buscavam o salvador entre os Judeus.  

 Na Pérsia dos dias do cativeiro dos Judeus existia uma noção de Satanás bem parecida com a que veio a predominar no restante das Escrituras. Também os anjos ou seres celestiais dos Persas tinham a delicadeza das descrições que posteriormente iremos encontrar em Zacarias, por exemplo.

 Mas em nenhuma delas se tem qualquer tentativa de se estabelecer uma pré-história do mau ou da iniqüidade.

 Nos evangelhos o mal é um fato, tanto no coração dos homens (“… vos sois maus…”) quanto no mundo que jaz no maligno.

 Quando perguntado acerca do mal entre os homens (parábola do Joio e do Trigo), Jesus apenas disse: “Um inimigo fez isso!” Mas não explicou quem e qual a origem do inimigo, porém, nem por isso, deixando de afirmar que no mundo o joio era a semeadura do diabo.

 Assim, Jesus cria uma imagem difícil de aceitar nos tempos de tamanha adoração ao mito psicológico cientifico.

 Sim! Ele disse que o joio é o diabo-humano. E não ficou apenas aí. Quando confrontado pelos judeus (João 8), lhes disse que pelos seus desejos homicidas e pelas suas mentiras contra a verdade, eles eram não filhos de Abraão, como pretendiam ser, mas apenas e sobretudo filhos do diabo; pois, já que queriam ser filhos de uma criatura (Abraão), que soubessem que de uma criatura eram filhos, filhos do diabo; e que por suas pulsões e desejos eles próprios faziam a sua confissão de filiação ao diabo.

 

Para Jesus o mal era mau e pronto. E mais: para ele o mal do homem e o diabo mau não se diferenciavam. Assim, Judas pôde ser entrado e surtado pelo diabo, tornando-se diabo. Sim! Um diabo para o qual o único exorcismo é o arrependimento.

 

Desse modo Jesus não gasta tempo procurando diabo em lugar nenhum, ao contrario, o que ele diz é: “Vamo-nos daqui, pois aí vem o príncipe deste mundo, e eu nada tenho nele”.

 

De fato, nos evangelhos, os diabos são religiosos; não os publicanos e pecadores e nem tampouco os poderosos e pervertidos romanos.

 

Assim, no olhar de Jesus, o pior diabo é o que senta à mesa e toma a ceia antes de sair para trair a quem diz amar.

 

Quando demônios se manifestam diante de Jesus, Ele não os “entende”; não os explica; não os cogita; não os psicologiza; não os filosofa; não negocia com eles; não lhes faz nenhum rito; não lhes pronuncia palavras mágicas; e não faz nada além de apenas lhes dizer: “Espírito imundo, deixa esta pessoa!” — e pronto; tanto sai o demônio como fica a pessoa.

 

Também em Jesus não se vê as influencias do livro de Enoque com sua cosmo-gênese dos anjos e demônios. Nem tampouco Nele se vê qualquer referencia à hierarquia de tais seres, conforme já havia há trezentos anos, desde o retorno de Babilônia.

 

Em Jesus a água é como a água primal — pura e simples ao absoluto. Nele a água não é mineral, é pré-mineral em relação a tudo.

 

Digo isto porque Paulo recorre aos conceitos de principados e potestades conforme os últimos trezentos anos de desenvolvimento daquelas percepções, tanto certas (algumas delas), como exageradas (outras tantas).

 

O apóstolo, porém, faz como ensinou: examina todas as coisas e retém o que é bom em cada uma delas. O mesmo se dá com Pedro e Judas em relação ao livro de Enoque.

 

Entretanto, nem por causa disso, qualquer deles caiu na tentação de tentar tirar do mal o seu mistério. Aliás, é João, no Apocalipse, quem denuncia a seita cristã-gnóstica (esotérica) que pretendia saber as coisas profundas de Satanás.

 

Desse modo, não me sendo possível conhecer o mal senão a parir de mim mesmo, pois, sem minha auto-percepção do mal-em-mim todo mal seria apenas um direito de qualquer animal dotado de inteligência, eu digo: o mal existe, mas eu não sei sua origem para além de seu começo em mim.

 

No entanto, vejo que as Escrituras seguiram o mesmo padrão em relação a tratar com o tema do mal. Afinal, as supostas passagens luciferianas de Isaías e Ezequiel, ambas lidam com o mal a partir do homem, fosse o rei de Babilônia, fosse o rei de Tiro.

 Desse modo não se remete ninguém para as fantasias de uma desobediência anterior a muitas formas de criação, quando um dos seres criados tornou-se o primeiro narcisista da criação, não vendo mais nada no estado de existente do que a sua cara bela e suas virtudes tornadas em lascívia de si por si mesmo.

 

Portanto, segundo as Escrituras e segundo Jesus, o melhor e único lugar para se discernir o diabo é em nós mesmos. Portanto, quem quer que deseje bem conhecer o mal deve dedicar-se ao estudo de suas próprias motivações.

 

O diabo existe fora do homem. Mas não interessa ao homem da verdade, pois, estudar o diabo fora de nós, é apenas um mecanismo de evasão da realidade, e, sobretudo, uma ação de fuga da verdade, posto que somente pela identificação do mal em nós é que se começa a experimentar a libertação.

 

Ora, tal processo é o exorcismo que a verdade realiza do diabo intrínseco que habita a iniqüidade humana.

 

Foi para o grupo ao qual Jesus havia dito que eram filhos do diabo e queriam cumprir-lhe os desejos (os quais eram desejos homicidas desde o principio), que, paradoxalmente, Jesus disse: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” — mostrando assim que todo diabo humano pode virar filho de Deus pela consciência da verdade que produz arrependimento.

 

Esse diabo do qual falo escova os dentes com sua escova, se penteia com seu pente, veste Prada com você, e trabalha sentado em sua cadeira; e quando se pede dele um currículo, é o seu que ele apresenta. Ele até ouve seus filhos chamando-o de “pai” ou “mãe”; e, pasme: ele faz sexo sem amor com a sua mulher, e também com a sua amante. O mais fantástico é que ele ensina na classe onde você é mestre ou até pastor.

 

Esse bicho é a sua cara.

 

Quem, porém, o enxerga logo vê que ele, o diabo, não consegue ficar no ambiente da luz e da verdade no coração do homem.

 

Os diabos que saem quando se diz “sai em nome de Jesus” são os pequenos diabos; pois, a mais elevada manifestação do diabo é aquela que se veste de mim ou de você; e que abraça os que abraçamos; e beija quem a nós nos beija; e que cumpre o nosso papel social e psicológico, sem que ninguém o discirna; sem falar que se alguém diz a esse diabo “Sai”, está correndo o risco de ser preso por preconceito anti-civilizado. E isto sem nem mesmo cogitarmos o fato que quanto mais se diz “Sai” a tal diabo, mais ele cresce no homem em inextrincável simbiose.

 

Pense nisto! 

Caio, 10/08/07 - Manaus- AM

ORAÇÃO - MÁRIO QUINTANA Maio 1, 2008

Posted by Carlos Barreto in Uncategorized.
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Dá-me a alegria
Do poema de cada dia.
E que ao longo do caminho
Às almas eu distribua
Minha porção de poesia
Sem que ela diminua…
Poesia tanta e tão minha
Que por uma eucaristia
Poesia eu fazê-la sua
“Eis minha carne e meu sangue!”
A minha carne e meu sangue
Em toda a ardente impureza
Deste humano coração…
Mas, ó Coração Divino,
Deixai-me dar de meu vinho,
Deixai-me dar de meu pão!
Que mal faz uma canção?
Basta que tenha beleza…
Mario Quintana